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A mística de Alvar Aalto

O lado humano do arquitecto
Imagens: Nuno Ladeiro
Por Nuno Ladeiro, Architect - 19/jul/2013

“Algo que usamos todos os dias deve adequar-se ao humano em todos os sentidos” Alvar Aalto, 1967

Já passaram mais de 70 anos desde que Alvar  Aalto criou as célebres jarras cujas formas onduladas evocam os lagos do seu país. Mas, esta inspiração no seu país natal estendeu-se também a outras áreas de projeto. Alvar Aalto tinha um conceito englobante da arquitetura, como um modo de viver. Por isso, para além de desenhar edifícios, mobilou-os, iluminou-os e equipou-os nos mais pequenos pormenores. Entre a sua vasta produção como designer destacam-se aqui as jarras Aalto e o sofá cama AA1 que desenhou em 1932, editado pela marca Italiana MisuraEmme.

Em 1939, Alvar Aalto teve a ideia de criar um jornal semanal intitulado “O lado humano”. Teria segundo ele, a distribuição mundial, e nele especialistas internacionais discutiriam temas tão prementes como a construção do humanismo, nesses tempos conturbados. A II Guerra impediria a sua concretização, mas a ideia ficou. Em 2006, a pretexto dos 70 anos da famosa jarra Aalto, a marca finlandesa Iittala retomou a ideia e sugeriu que o debate fosse formal e criativo, em torno das formas ondulantes deste objeto místico.

As jarras criadas em 1936 e apresentadas no ano seguinte na Feira Internacional de Paris, com as suas formas fluídas, orgânicas, encantaram pela versatilidade de uso, pelo inesperado. O conceito de design inovador das jarras, humanizado, fez sucesso e ainda hoje espanta pela originalidade e ousadia. A produção continua a ser realizada de acordo com as caraterísticas originais, com a qualidade do vidro manual e um uso especializado da tecnologia.

Porém, para além destas e outras produções da obra de Alvar Aalto, que se mantêm em muitos casos nas mesmas fábricas que originalmente foram escolhidas pelo autor, surgem internacionalmente, da imaginação de vários designers de diferentes nacionalidades, peças tão surpreendentes como as jarras Aalto. A designer japonesa Tamoko Azumi por exemplo, criou um biombo inspirado nas ondas misteriosas da jarra também conhecida por Savoy (por ter sido num hotel desta cadeia que foi usada pela primeira vez). Concebido em papel, cuja flutuação acentua as linhas recortadas na superfície, transmite-nos um diálogo segundo a autora, entre o Ocidente e Oriente.

Em 2000 Tomoko Azumi e Shin, criaram para a marca Italiana La Palma um banco inspirado nas formas orgânicas de Alvar Aalto que se tornou um ícone internacional. Provavelmente, em muitos bares, restaurantes ou receções um pouco por todo o mundo, é possível apreciar o visual simples, o design minimalista e orgânico do banco Lem.

Sobre Alvar Aalto

Hugo Alvar Henrik Aalto nasce a 3 de Fevereiro de 1898, em Kuortane. Formado arquiteto em 1921 pelo Instituto Tecnológico de Helsínquia, em 1923 estabelece-se em Jyvaskyla, trabalhando logo a partir de 1924 com Aino Marsio, sua mulher e parceira. Em 1927, muda-se para Turku, onde ficará até 1923, ano em que regressa a Helsínquia. Em 1935 cria a Artek, a firma que se tornaria célebre pela produção de mobiliário e peças de design. Cedo reconhecido, a fama não isenta Aalto de alguns amargos de boca, que o farão reconhecer que “ninguém é profeta na própria terra”. Presidente da associação de Arquitetos Finlandeses entre 1943 – 1958 (sendo seu membro honorário desde então), passa dois anos como docente nos EUA (1946 – 1948, Massachusetts Institute of Technology). Viúvo em 1949, volta a casar em 1952 com Elissa Makiniemi. Membro e depois presidente (1963 – 68) da Academia Finlandesa, desde 1955, morre a 11 de Maio de 1976, deixando um corpus notável, tanto na arquitetura como no design.

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