Um arranha-céus debaixo de água
Um projecto inédito de dois estudantes chilenosImagens via Pablo Schaelchli e Fabián Cordero

Ontem falámos sobre a perda de solo habitável que sofremos a cada instante.
No entanto, cidades flutuantes não serão a nossa única opção.
Para além das terras e dos mares, temos o mundo submarino para explorar e, quiçá, habitar.

Quanto mais expandimos a nossa civilização, mais terreno consumimos, mais poluentes emitimos mas mais portas se abrem.
De início, muitas cidades ao longo do mundo lembraram-se de criar os arranha-céus, para servir mais usos por casa metro quadrado de lote. Mas a tecnologia não era perfeita, e ainda não é - continuamos a poluir e continuamos a perder os nossos terrenos perante o mar.
Simultaneamente, o consumo também não abrandou, acelerou. Consumimos mais combustíveis fósseis por minuto que nunca e as reservas de petróleo começam a mostrar sinais de declínio. Mais de 800 plataformas petrolíferas, essas pioneiras ilhas artificiais que quase serviram de base para todos os projectos de cidades flutuantes, encontram-se abandonadas à volta do mundo!
Dois jovens chilenos visam combater o aumento do nível dos mares, a consequente escassez do solo e o abandono destas plataformas petrolíferas com uma simples solução: arranha-céus submarinos.

A propósito do concurso para arranha-céus da eVolo, os estudantes Schaelchli e Cordero do atlier de concursos da Universidade do Chile, acompanhados pelos arquitectos Alberto Fernandez, Francisco Moure e Jorge Insulza desenvolveram o projecto Submarine Lighthouse.
O Submarine Lighthouse reaproveita a verticalidade e estabilidade das plataformas petrolíferas para repovoá-las como um edifício inovador que toma partido dos recursos marítimos para a sua construção e uso corrente.

Este processo construtivo proposto pelos chilenos envolve uma rede de estruturas metálicas que desce ao longo do pilar da plataforma original coberto por uma resina isolante que as envolve ao subir com a pressão das águas.
Usando esta estrutura complexa como casca, o interior da torre poderia tomar qualquer forma necessária para os usos propostos, atendendo às necessidades dos seus novos habitantes.

Propõe-se um sistema de osmose invertida para filtrar as águas salgadas para água potável, o aproveitamento do pilar central como circulação para os diferentes níveis da intervenção e o uso do topo do edifício como solo arável para a produção de alimentos à luz do sol.

Esta inovação poderá ter variados usos para a investigação marinha, pois a estrutura permite a fácil interacção entre os humanos que a habitam e a vida subaquática que a circunda até a uma impressionante profundidade de 1500 metros!

Entre as outras impressionantes entradas para o concurso da eVolo, não pudemos deixar de dar destaque a esta intervenção pela sua originalidade. Ainda nos vemos hipnotizados pelas diferentes imagens e apresentações do projecto e recomendamos que veja este video demonstrativo conosco:
