Cidades Flutuantes
O futuro das cidades a viajar pelo mar
Haiti Market | Imagem via eVolo
O nosso planeta é maioritariamente feito de água. Cerca de 71% da superfície terreste é ocupada por oceanos, menos de um terço é terreno, e nem todo esse terreno é próprio para construir.
Mesmo que não necessitemos de todos os terrenos disponíveis para providenciar habitação para todos nós, por vezes sonhamos em virarmo-nos para os mares.
Há uma vastidão inédita de descobertas a serem feitas nas profundezas e incontáveis aventuras à espera de serem feitas à volta do mundo. Faltam-nos só as casas sobre as quais podemos começar estas descobertas!

Seasteading Concept Design | Imagem via TheFabWeb
O aquecimento global serve-nos como um pontapé de saída para este mundo.
Muitas das nossas cidades serão invadidas pelas águas, atirando-nos de volta as questões: como é que se vive sobre a água? Como serão as cidades flutuantes do futuro?
Já existem exemplos a surgir à volta do globo, não utopias, simplesmente soluções bastante reais que começam agora a ser construídas. A principal vantagem de muitas destas intervenções é a sua mobilidade.
Para quem não gosta de onde está a viver, basta levantar a âncora e viajar até outro canto mais amigável.
A legislação ainda não está perfeita, pois muitos mares internacionais têm regras próprias. Há quem tenha aproveitado para criar pequenos casulos de sociedade auto-sustentáveis para criar novos regimes autogovernados.

Cidades Independentes | Imagem via Modern Farmer
O Seasteading Movement surgiu como um movimento político com base nestas preocupações, para criar cidades-estado de crescimento orgânico.
O projecto prevê uma aldeia flutuante para 225 habitantes permanentes e 50 habitantes convidados, feita a partir de uma série de blocos modulares quadrados ou pentagonais que se encaixam à restante estrutura.
O objectivo aqui é a independência total. Qualquer habitante que não concorda com alguma política poderá remover-se dos restantes, efectivamente decidindo o seu destino.
A tecnologia holandesa relativa a águas já evoluiu a um ponto em que se sentem confortáveis em prever um sucesso nestas intervenções, propondo apartamentos de 70 metros quadrados com quintais próprios, junto ao mar.
Estes apartamentos iriam buscar a sua energia à energia solar e água potável das águas da chuva.
A comida viria de quintas de vegetais, frutas e peixe, produzidos localmente.
Em caso de emergências médicas, um heliporto também está previsto.
Esta iniciativa está a receber os seus fundos do Seasteading Institute, fundado pelo bilionário do PayPal, Peter Thiel. Para mais informações, veja o vídeo:

Quintas Flutuantes | Imagem via Modern Farmer
Outra iniciativa compatível com esta é a Floating Farm, originada no movimento Blue Revolution no Hawai.
Estes futuristas estão a gerir as hipóteses do ser humano para os próximos 50 anos e aperceberam-se que quintas flutuantes são a solução.
Já existem plataformas petrolíferas no oceano quase auto-sustentáveis, porque não haveriam de ver iniciativas mais ecologicamente sustentáveis prontas para os desafios do futuro?
Há projectos em Nova Iorque, de plantas a serem cultivadas em ilhas artificiais junto a Manhattan e Philadelphia, estufas flutuantes em Vancouver, Hospitais e Prisões prontas a navegar na Tailândia e Holanda, e tantos outros exemplos que mostram um "despertar" global para a causa.

Lilypad City | Imagem via Garcia Barba
No entanto, não se pode falar de cidades flutuantes sem falar do projecto de maior impacto na indústria - o Lilypad Floating Cities. Este conceito de Vincent Callebaut invadiu a internet pelos seus desenhos de extrema beleza e rigor, pelas suas escolhas de materiais perspicazes e pelo design sustentável sem igual.
Estão desenhadas para se parecerem com nenúfares, com montanhas nas extremidades e um lago a meio.
O objectivo é a cidade de zero emissões de carbono e auto-sustentabilidade energética real. Usando energias solares, hídricas, eólicas e de biocombustíveis, é possível que estas cidades não só produzam energia, como também revertam o CO2 na atmosfera que causa o aquecimento global e, consequentemente, as inundações que incentivam o projecto.
Veja aqui as diferentes camadas construtivas da Lilypad City:

Módulo Independente | Imagem via Wikipedia
Encontramo-nos numa altura da sociedade em que temos a capacidade de prever o futuro que causámos pelos efeitos nocivos da comodidade que vivemos - começa a ser a altura de mudarmos as tendências para sermos uma influência positiva nas futuras gerações.
Não há melhor altura senão o presente para iniciarmos a nossa viagem. Vemo-nos nos mares!
