Contratar um arquitecto não vale de nada!
Quando o barato sai caro
Quer ter a casa dos seus sonhos?
O mais fácil é contratar directamente um empreiteiro que lhe fará a obra de forma económica e rápida. Porquê gastar tanto num projecto de arquitectura, quando esse dinheiro poderá ser aplicado noutras coisas? Um projecto não é uma obra, por isso porquê gastar nos desenhos quando pode gastar apenas no que realmente vai usufruir?
Contratando directamente um empreiteiro, saltamos a parte do projecto e evitamos despesas de arquitectura, que em geral rondam cerca de 5% do valor da obra. Da mesma forma, os técnicos das especialidades também podem ser dispensáveis, pois o empreiteiro assume essas competências e resolve os problemas directamente em obra.
Sem projecto e burocracias as obras podem ser iniciadas de imediato, embora de forma clandestina, isto se não se importar de guardar esta preocupação para mais tarde.

Mas eis que surgem algumas situações inesperadas:
Afinal o terreno não era plano e parece que um dos quartos ficaria enterrado. Então o empreiteiro decide subir as fundações, o que obriga a subir uma escada para entrar em casa, que agora parece assente num pedestal. Será que esta situação poderia ter sido evitada de modo a economizar meios e tempo?
O cano do esgoto da casa de banho do piso superior está a passar no tecto da sala? Solução de última hora: dar umas voltas a mais ao cano ou rebaixar o tecto falso para o ocultar. A sala ficou com o tecto muito baixo, claustrofóbica... agora não há como voltar atrás!
As loiças da casa de banho foram mudadas de sítio, a sanita ficou no lugar do lavatório. O empreiteiro justifica-se dizendo que repensou o assunto e achou que assim ficaria melhor. Você concorda ou vai obrigá-lo a alterar a canalização para trocar novamente? E quem paga estas modificações?
Ao entrar no quarto verifica que as tomadas para ligar os candeeiros das mesas-de-cabeceira estão do lado oposto ao que tinha idealizado para colocar a sua cama. Realmente você não chegou a falar sobre estes aspectos com o empreiteiro nem nunca teve acesso a um projecto de electricidade feito para a sua casa...
As tardes soalheiras que sonhou passar na sua sala parecem não existir, a sua sala é gelada e húmida durante o Inverno. A sua sala está orientada a Norte e você vai acabar por fazer uma pequena sala no quarto pequenino do outro lado da casa, que tem uma luz fantástica e deixa entrar os raios de sol que sabem tão bem no Inverno.
A casa que, com tanto empenho conseguiu construir, não é afinal, a casa dos seus sonhos!

E quando a quiser vender, será que o valor de mercado corresponde ao que tinha imaginado?
Provavelmente depois de tudo isto o seu pensamento remeteu para a frase:
“E se tivesse contratado um arquitecto?”
O arquitecto, provavelmente, iria começar por analisar o local e envolvente, o clima, as características topográficas do terreno e a viabilidade da construção, ajudando-o a definir o que pode ou não resultar naquele local, dando forma às suas ideias de acordo com aquilo que pretende e seja possível construir. A sua casa ficará certamente bem implantada no terreno, sem recorrer a escadas inesperadas para resolver desníveis ou outras surpresas desagradáveis. O arquitecto irá aconselhar sobre a melhor orientação solar, localização de portas e janelas e outras questões indispensáveis para que se sinta confortável na sua futura casa.
E será unicamente o arquitecto a tomar decisões sobre a sua casa?
As decisões são suas e o importante é concretizar o seu sonho! O papel do arquitecto é aconselhar e orientar, utilizando a sua experiência. Uma troca de ideias inicial irá permitir realizar um estudo preliminar, definindo as áreas e características de cada espaço, por forma a ir ao encontro do que pretende.
Nesta fase, o arquitecto poderá conceber algumas imagens 3D e/ou fotomontagens por forma a dar uma ideia mais concreta de como será realmente a sua casa!
Discutidas as opções e chegando à solução final, passa-se à fase de licenciamento, que irá ser aprovada pelas entidades competentes, transpondo a inteira responsabilidade para os técnicos autores de projecto. Assim, terá a certeza que o seu projecto cumpre todas as exigências legais, com a vantagem de realizar uma obra não clandestina, que é construída conforme o planeado, evitando surpresas desagradáveis e grandes complicações.

Cabe ao arquitecto o papel de coordenador do projecto, garantindo a compatibilização das diferentes especialidades: estabilidade, águas e esgotos, instalações eléctricas e telecomunicações, gás, térmica, acústica, ar condicionado, etc. Todos os técnicos das especialidades participam na elaboração do projecto, no entanto, cabe ao arquitecto coordenar todas estas valências, discutindo consigo as suas preferências e os seus hábitos diários. Desta forma irá garantir o perfeito funcionamento da sua casa, para que tudo coabite em conformidade.
A instalação das tomadas e equipamentos eléctricos será estudada por um técnico especializado com a participação do cliente que informa sobre as suas preferências tendo em conta, por exemplo, a distribuição do mobiliário e os seus hábitos quotidianos. Com o projecto de águas e esgotos realizado, garantidamente não irá deparar-se com tubos saídos do tecto nem lhe faltarão pontos de água onde idealizou! O técnico especializado em telecomunicações irá respeitar as suas indicações e criar uma solução eficaz de telecomunicações, para que não tenha fios a passar na sua casa, concentrando tudo num armário técnico. No fundo, os projectos de especialidades permitem evitar erros e antecipar incoerências para que se possam solucionar ainda em fase de projecto, economizando recursos em obra.
O projecto de execução é outra fase importante, onde cada detalhe é desenvolvido ao pormenor identificando todos os materiais e acabamentos para que o projecto possa ser compreendido e respeitado tal como foi pensado e o resultado final seja exactamente o esperado. Esta pormenorização e planeamento têm a vantagem de permitir ao cliente obter um orçamento real da obra, sabendo ao certo com o que pode contar.

E em fase de obra, quem coordena?
O cliente poderá delegar a tarefa e responsabilidade de acompanhamento de obra ao arquitecto que, como bom conhecedor do projecto, tem obrigação de fazer cumprir o definido pelo cliente. Caso não exista um responsável legal, todas as sanções penais recairão sobre o proprietário, que inclusive poderá ser chamado a responder perante a lei.
O empreiteiro não poderá, nunca, sem autorização do arquitecto e do cliente, alterar seja o que for do projecto. A obra terá que respeitar na íntegra o projecto, sem lugar a alterações indesejadas.
O planeamento adequado da obra optimizará os gastos com mão-de-obra e material de construção, e será determinante na minimização dos prazos de construção.
Se ficou satisfeito em ter poupado um mês na aprovação do projecto, avançando com a obra ilegalmente, agora, observando os problemas e imprevistos que a obra apresenta, irá constatar que os atrasos de execução da obra são bastante superiores a esse período de tempo. Um mês perdido em burocracias, pode significar um ano e muito dinheiro poupado na construção!
Arquitectura é serviço, construção e arte. A arte, a estética da construção será valorizada por quem se especializou nesta temática, o arquitecto. A qualidade da obra irá refletir-se no mercado, fazendo com que o valor do imóvel aumente.
Será que ainda continua a pensar nos 5% a mais que teria de pagar pelo projecto de arquitectura?!

Comparando o custo de contratação de um profissional competente em relação ao custo total da obra, verificamos que isso representa apenas uma pequena fracção e os benefícios compensam esse investimento.
A arquitectura não é financeiramente inalcançável, pois se pensarmos bem, ela é o elemento fundamental da construção e a quantia nela investida constitui uma percentagem mínima do gasto total, permitindo obter melhores e mais eficazes resultados. Acrescentando o facto de hoje em dia os preços estarem bastante mais competitivos.
Na verdade, muitas vezes seguimos o caminho mais fácil e que há primeira vista nos parece o mais eficiente, e só depois de pararmos e reflectirmos conseguimos entender que nem sempre esse é o melhor caminho.
Fica na sua consciência a resposta à questão:
“Valerá a pena contratar um arquitecto?”
