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Arte Urbana

Divergência de opiniões
Por ArchReady - 25/jun/2014

CMYK by Skurktur via skurktur.com

Arte urbana, urbanografia ou street art refere-se a manifestações artísticas desenvolvidas no espaço público, distinguindo-se de manifestações de carácter institucional ou empresarial, bem como do mero vandalismo.

Este tipo de arte pode ser feito de diferentes formas: grafitti, stencil, stickers, poster-bombs, flash mobs, intervenções, instalações, projecções de vídeo, etc...

Intervenção em Londres by Bodies in urban spaces via seyvet.com

Podemos dizer que é uma forma de comunicar com a sociedade, transmitindo ideias, pensamentos e críticas, fazendo arte, através de suportes públicos que chegam a todos gratuitamente.

Esta arte gratuita dirigida às massas, não é vista por todos com os mesmos olhos... Há quem a admire, há quem a condene! Muitas vezes estas opiniões divergem dependendo do local, do meio de suporte ou da mensagem que transmite.

Qualquer intervenção feita, por exemplo, numa zona histórica, é sempre alvo de discussão, podendo ser avaliada como uma provocação positiva ou uma manifestação ofensiva.

Podemos afirmar que a arte é sempre uma forma de provocação, na medida em que provoca sensações nos observadores, mexe com os seus sentimentos, e este abanar de emoções pode resultar em reconhecimento do trabalho executado ou mero desagrado.

Intervenção no museu de Serralves, Porto by Bodies ir urban spaces via metro.co.uk

Existem inúmeros suportes possíveis para a transmissão da mensagem, uma cidade é ela própria uma tela, um cenário, com muros, paredes, pavimentos que comunicam com as pessoas através de desenhos, letras e outras intervenções.

Muitas vezes, esses suportes são privados, ou apropriados psicologicamente pelas pessoas, fazendo parte do seu dia-a-dia, sentidos como seus... o que resulta em revolta e repugna pela invasão do “seu” espaço. Em muitas situações o problema não passa sequer pela mensagem, mas antes pela atitude de intervir sem autorização e consentimento.

Outras vezes, a questão da mensagem é fundamental e a aceitação do público passa pela sua identificação com o conteúdo abordado.

Graffiti em Londres by Bansky via edition.cnn.com

É muito mais fácil apreciarmos a arte, se nos revirmos nela, se sentirmos o que transmite. Isso acontece muitas vezes em arte urbana com mensagens sobre o país, o sistema, os problemas sociais, ou sobre grupos sociais e movimentos culturais associados, muitas vezes, a estilos de música.

A verdade é que este tipo de arte é bastante especulado e as opiniões divergem muito.

E você, o que pensa sobre Arte Urbana?

Serão o local e o suporte relevantes?

Neste tema existe uma contradição difícil de resolver. Em muitas cidades a arte urbana é permitida desde que feita em locais autorizados. Por vezes são cedidas paredes para graffiti, cenários para projecções de vídeo, ou áreas para instalações, no entanto, muitos artistas urbanos defendem que o cunho desta arte é ser feita sem prévia autorização, em locais escolhidos pelo artista, quase sempre durante a noite, sem olhares estranhos, mantendo o anonimato do seu autor e fazendo-se revelar como uma intervenção misteriosa que surge com o nascer do dia.

Graffiti em Lisboa by Gémeos via hyphytek.net

Falando mais especificamente nos graffiti, esta forma de expressão é considerada arte quando tem características que a valorizem como tal; noutros casos, dizem os críticos, não passa de pichação, definida como o acto de escrever ou rabiscar sobre muros ou fachadas como forma de protesto, insulto, declaração ou como marcação de território entre grupos. Esta distinção ajuda a definir a aceitação da arte urbana pelo público.

Muitos artistas também defendem que esta não é uma arte de galerias, é uma arte gratuita, feita em espaço público, com livre acesso de todos.

Graffiti em Malmo by Stinkfish via googleplussuomi.com

Depois existe a questão do suporte. O que pensa da arte feita em edifícios devolutos?

Há quem considere uma mais-valia a arte feita em espaços devolutos e degradados, funcionando como um embelezamento da própria cidade, criando espaços de contemplação no lugar de ruínas.

E em zonas históricas, será que há lugar para este tipo de arte? Será que, desde que não interfira com as características históricas e morfológicas do edifício, pode conviver no mesmo espaço? Ou será um choque de épocas e culturas?

Graffiti em S. Paulo by Boa Mistura via wordlesstech.com

Por vezes, há uma opinião bastante negativa sobre a arte urbana, mas é pertinente falarmos em algo que ocupa os mesmos suportes visuais e que muitas vezes nem é contestado: a publicidade. Ao percorrer a cidade, deparamo-nos com enormes painéis publicitários que cobrem fachadas de edifícios importantes, são intervenções pagas geradas por grandes empresas que competem com arte gratuita.

Graffiti em Lisboa by Vihls via http://ourhouseisourworld.wordpress.com/2014/01/20/alexandre-farto-aka-vhils/

Outra questão polémica e interessante é a polaridade entre artistas urbanos e arquitectos.

No fundo, os suportes destes dois tipos de artistas acabam por se cruzar, pois a obra dos arquitectos são os edifícios e são os mesmos edifícios que inúmeras vezes servem de suporte à obra dos artistas urbanos.

Até que ponto esta convivência de artes agrada os arquitectos? Será que retira valor à sua obra? Ou será que, pelo contrário, duplica os olhares sobre a obra?

As opiniões divergem e os limites da arte também são difíceis de definir, a arte é sempre discutível e, quanto mais exposta ela se apresenta, mais polémica causa. 

Graffiti em S. Paulo by Paulo Ito via bkreader.com

A cidade pode ser tida como um organismo vivo, em mutação, com coisas mais ou menos interessantes, tornando-se difícil definir o que é melhor ou pior, se a higienização excessiva ou a violência de algumas intervenções.

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