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Arquitectura de Game of Thrones

King’s Landing em ambos os mundos
Por ArchReady - 21/abr/2014


View from the Sea - Imagem via Game of Thrones Wiki

Estávamos nós a recuperar do Casamento Vermelho quando nos deram a reviravolta do Púrpura! São eventos destes no mundo de Game of Thrones que nos colam ao ecrã, embutindo momentos inéditos nas nossas mentes… No entanto, o que nos faz voltar?
George RR Martin, por mais sádico que seja, por mais friamente que mate as suas personagens, enfeitiça-nos com um encantar psicológico pela profundidade das personagens e dos seus mundos.
Muitos de nós nos familiarizámos rapidamente com as personagens, algo tornado simples pela qualidade deste ávido escritor de pequenos contos. De qualquer dos modos, não são só as personagens que nos hipnotizam, são os sintomas do síndrome de criação de mundos do qual este autor padece - A descrição completa de religiões, comidas, costumes e todos os espaços criados por entre os parágrafos. A pergunta fica no ar, como os cheiros de Flea Bottom: O que torna o mundo, a arquitectura, as paisagens tão únicas e hipnotizantes ao primeiro, segundo e terceiro olhar?



Game of Thrones Intro - Imagem via HBO

Por mais fascinantes que sejam os mundos de fantasia, estes costumam basear-se na repetição do mundo europeu nos tempos medievais. Mas, como todos sabemos, o mundo de Game of Thrones é muito mais completo. Há um charme nos detalhes e uma variedade dos cenários, tanto que é difícil descrever todos os ambientes sequer.
Para além das capelas exuberantes, dos castelos colossais, pontes com fossas prontas a levantar e grandes muralhas prontas para guerra, há planícies geladas, ambientes árabes mediterrânicos, florestas sem fim, mar deslumbrante e, vá, algumas quantas ruas e pessoas tão sujas que nem se distinguem.



Grand Sept of Baelor - Imagem via HBO

A capital deste mundo, Kings Landing, inicia esta nossa jornada através dos Sete Reinos de Westeros.
Situada a meio do pequeno continente, nas Crownlands, junto ao rio de Blackwater, entre o mar e a terra, rodeada de muralhas e fortificada ainda mais no seu ponto de maior cota, onde se encontra o Red Keep, a zona de palácio que contem o Trono de Ferro tão cobiçado!
Como muitas cidades medievais, tem esse esquema de muralha-cidade-palácio fortificado e, também como as mesmas, notam-se os contrastes sociais entre os três.
Por entre a rua direita, a rua principal da cidade, encontram-se as barracas de Flea Bottom, o labirinto de ruas e becos de cheiro tão grande que invadem as casas para além das muralhas.
A maior parte da população reside nesta zona, excluindo apenas os habitantes mais ricos que vivem no canto norte desta cidade quadrada, junto à colina de Rhaenys.


Map of the Red Keep - Imagem via Joanna Lannister


Focando ainda mais no cerne de King’s Landing, o Red Keep, falamos de uma arquitectura quase toda gerada em computador, feita à escala e pouco alterada entre as diferentes épocas da série. A sua componente real, Lovijenac Fortress, fica perto de Dubrovnik numa rocha de 37 metros de altura com uma entrada com uma inscrição interessante que traduz como: “A liberdade não poderá ser vendida por todo o ouro no mundo”, o que nos faz pensar no destino dos Lannisters no futuro vindouro. Anteriormente todas as filmagens eram em Malta, mas agora, juntamente com o norte irlandês, é uma das casas principais da equipa de filmagens.
O Red Keep oferece espaço, luxo e confortos a uma escala épica, ao nível dos palácios élficos de Tolkien, contendo passagens subterrâneas, torres com vistas inéditas e construção baseada numa espécie de gótico em tentativa de tocar os céus!
Descrevendo esta obra, temos a alta Tower of the Hand a meio, com os armamentos e habitações da família do mesmo, o Great Throne Room de lado, um colosso que poderia acomodar mais de mil espectadores e a Citadel Maegor do outro, o castelo dentro do castelo, rodeado por uma fossa e lanças, ligada apenas com uma ponte que se ergue face ao perigo.
O Great Hall, a sala do trono, contém o famoso trono das mil espadas de reis derrotados pelo rei único de Westeros Aegon Targaryen, impondo-se com as suas colunas massivas, chão de mármore e vitrais vermelhos e dourados reminiscentes do Império Romano.
A Tower of the Hand trata-se de um monólito como um arranha-céus, pronto para os serviços oficiais do Hand of the King, o efectivo primeiro-ministro face ao Rei. Cada divisão tem a sua varanda e a estrutura aguenta até o mais feroz dos ataques sendo que o único problema do edifício é a proximidade com o nada encantador rei em si…



Fading light over the Old City – Imagem © David

Descrita em tanto mais detalhe que difícil será de resumir, até a própria série precisou de muitos diferentes locais paradisíacos no nosso globo para retratar esta incrível capital de vários quilómetros de largura.
Estamos a falar da cidade amuralhada de Mdina no oeste da ilha de Malta, banhada pelos sais mediterrânicos e construída há tantos séculos ou mais que a própria cidade imaginada no mesmo local. Um passeio por estas ruas envia-nos num sonho de tempos há muito esquecidos e outras viagens literárias prontas para ser escritas.
O grande portão de Mdina é usado como a entrada de Catelyn Stark e Rodrik Cassel durante as suas investigações face ao seu filho Bran. Outra entrada grandiosa é o Fort Ricasoli, usado como o portão de entrada de Red Keep, que segue para dentro do mesmo, recriado digitalmente e fisicamente no San Anton Palace, o palácio do século XVI, a residência oficial do Presidente de Malta.
Enquanto estas localizações realçam os ângulos mais iluminados dos tempos passados no Red Keep, o forte de São Ângelo funciona como as masmorras. Situado na cidade fortificada de Birgu, no centro do Grand Harbour, a origem deste castelo é desconhecida, havendo vestígios pré-históricos e clássicos, sendo ao longo de séculos a casa dos Cavaleiros de Malta.
Em contraste com o Red Keep, mas ainda na capital, temos o Great Sept of Baelor, numa outra fortificação de Malta - o forte de Manoel na ilha Manoel, junto ao porto de Marsamxett, construído entre 1723 e 1755 pelos Cavaleiros de Malta. Como muitos sabemos, é melhor não revelar aqui os famosos acontecimentos da série que aqui acontecem envolvendo Ned Stark e Joffrey, para o bem e para o mal! Spoilers!



Dominican Priory in Dubrovnik – Imagem © Lawrence OP

Por entre claustros e relíquias de pedra magésticas sentimos os ares do mesmo mar mediterrânico por baixo dos nossos narizes a passear por Dubrovnik nas costas adriáticas deste país solarengo. A escolha faz sentido dadas as fortificações da península e a paisagem icónica que a rodeia. Muitas das filmagens foram feitas no Hotel Belvedere, um hotel abandonado com um terraço grandioso com arrebatadoras vistas do mar, piscinas vazias e relíquias prontas a serem exploradas pelos visitantes. Como nos podemos esquecer das conversas da família Lannister no claustro Dominicano, ou até à confissão de Ned Stark a Cersei, aqui mesmo neste suposto Red Keep?



Arboretum Trsteno by Pudelek - Imagem via Wikipedia

Dito isto, não é a única paisagem Croata. Split também foi alvo de um embelezamento fantasioso. Para algumas das conversas e duelos destes episódios mais recentes a fortaleza de Lovrijenac e os jardins do Trsteno Arboretum foram usados, gerando as cores vivas dos cenários. Por entre as plantas exóticas, os estilos de Gótico, Renascimento e Barroco, há visitas guiadas a pé para os mais interessados, onde se pode visualizar e reconhecer ao vivo os diferentes momentos malévolos do Rei Joffrey, as conversas matreiras de Petyr Balish ou a grandiosa batalha de Blackwater Bay.

Usada Mdina para as vistas panorâmicas e exteriores deste quadro aqui pintado, Dubrovnik para outras e alguns interiores aqui e ali, resta-nos apenas Marrocos para algumas ruas, mercados e conversas não só desta capital como também dos cenários de Daenerys a tentar angariar o seu exército através das fortificações da cidade e do porto de Essaouira.
Aït-Bem-Haddou acaba por servir melhor como Yunkai, a mais pequena das três cidades de escravos, também usada nos filmes da Múmia, Gladiador, Babel, Alexander e outros e Essaouira como Astapor, dada a sua parede fortificada sem igual, apesar de esta ter sido usada como local de encontro hippie de ícones como Cat Stevens e Jimi Hendrix.



The Light and Shadow of a Stone - Imagem © Sayid Budhi

Fechamos aqui a primeira parte de uma pequena descrição deste complexo mundo, voltando para a próxima com todas as outras localizações inéditas.

Até lá, ficamos com o esplendor da capital que tanto nos mentiu!

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