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Prémio Europeu para Espaços Públicos Urbanos

Conheça os seis projectos vencedores
Imagens via CCCB
Por ArchReady - 09/mai/2014


Pala sobre o antigo porto | Design de Michel Desvigne e Norman Foster

Dos vinte e cinco finalistas, seis transcenderam a competição para o prémio Europeu para Espaços Públicos Urbanos.

Foi um concurso de ideias que se pretendia que reflectisse igualdade, pluralidade e progresso para as diferentes cidades europeias.
Uma grande porção dos problemas da sociedade são exprimidos em espaços públicos: segregação, construção desregulada e as crises imobiliárias que alimentaram muitos dos problemas económicos correntes.
Esta competição bienal tem como objectivo o incentivo da criação, recuperação e requalificação dos espaços públicos de modo a comtribuir para um melhor civismo e urbanidade Europeia.
 
O prémio é honorífico, constituindo na atribuição de um diploma e uma placa a afixar junto às obras em questão. Duzentos e setenta e quatro projectos de trinta países diferentes participaram, resultando em vinte e cinco finalistas. Destes finalistas, dois vencedores e quatro menções honrosas foram seleccionadas pelo júri, composto por elementos de seis instituições que participaram na organização.

O prazo de entrega foi o dia 30 de Janeiro e os resultados foram publicados no dia 25 de Abril. No mesmo dia, os prémios foram entregues no Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona.


Renovação do Antigo Porto | Design de Michel Desvigne e Norman Foster

Sendo Marselha a segunda mais populosa cidade de França e a mais antiga, seria de esperar que o seu velho porto fosse um ponto urbano de máximo interesse.
Este porto antigo foi fundado pelos gregos no ano 600 a.C., e sobreviveu até aos dias de hoje como o maior porto urbano na Europa!
No entanto, o porto não tinha uma utilização pedonal, apenas automóvel e de acesso à marina.
Cerca de 80% da área portuária era vedada, antes de surgir um concurso para a sua reestruturação, em 2009.

Este concurso da Câmara e a instituição da Marseille Provence Métropole gerou um processo de múltiplas fases que começou pela remoção de obstáculos e vias automóveis das três entradas ao porto, agora pavimentadas em granito claro e rugoso.
Criaram-se docas flutuantes para desobstruir as vistas e os fluxos pedonais e uma pala de mil metros quadrados para sombrear a intervenção.
Atendendo aos diferentes pedidos dos habitantes, negociantes e associações locais, o porto voltou a ter actividades lúdicas, económicas e comunitárias, revitalizando-o e abrindo-o novamente ao público.




The Braided Valley | Design pelo Grupo Aranea

No rio Vinalopó em Elx, uma cidade na costa sudeste espanhola, encontra-se o segundo vencedor deste concurso. Passados vários anos de cheias e a queda dos terrenos que ladeiam o rio, tornou-se necessário transformá-lo num canal, criando assim uma infeliz barreira que dividiu a cidade.

O projecto foi desenvolvido pelos arquitectos do grupo Aranea, a pedido de outro concurso de 2009 pela Câmara da cidade, e teve como objectivo reunir ambos os lados da cidade permitindo um atravessamento pedonal.
A Câmara quis um parque linear de três quilómetros que seguisse o rio e, nesta grande ambição, surgiu uma obra conhecida como o Braided Valley, uma série de caminhos que se intersectam ao atravessar o rio.
Ao mudarem as políticas e os orçamentos, o projecto não passou da sua primeira fase, nem foi oficialmente aberto mas o público contrariou este facto ao dar uso à pequena ponte.
Árvores autóctones foram plantadas e foram erguidos elementos estruturantes em betão, marcando a cidade com uma obra impressionante de engenharia e arquitectura.

Com a esperança de avançar o projecto para além da sua primeira fase, o júri deliberou que o projecto para o rio de Vinalopó mereceu a vitória e o incentivo para se realizar na sua totalidade.




Cemitério Islâmico em Altach | Design de Bernardo Bader Architects

O cemitério islâmico de Altach é o segundo mais importante da fé Islâmica na Áustria e uma obra de impressionante simbolismo e contemporaneidade, não sendo por isso surpresa que tenha merecido uma menção honrosa.

Os seus espaços foram desenhados de acordo com as orientações e conceitos-chave da fé islâmica, combinandos com a tradição do trabalho de madeira desta região.
Coberto de geometrias abstractas que reflectem a arte islâmica, e com um grande pátio abrigado pelos seis núcleos, a abertura e minimalismo desta obra impressionaram o júri e geraram este espaço público de inclusão e reflexão.


O teatro “La Lira” em Ripoll, Espanha | Design de RCR Aranda Pigem Vialta Arquitectes

Em 2003, a Câmara de Ripoll lançou um concurso para o espaço criado pela demolição do antigo teatro “La Lira”.
O resultado foi um novo “La Lira”, um teatro aberto como um terraço que abriga os visitantes e com diversos espaços multiusos.

Apesar da impermeabilização desta cobertura, ela é permeável à luz, criando um padrão reconfortante que se abre como uma janela para as vistas do rio e montanhas da região.
Para além de uma ligação visual, foi criada uma ligação física através da ponte que aqui se cria, atravessando o rio Ter, dando acesso ao centro histórico da cidade.

Em contraste com as fachadas antigas deste bairro, o espirito metalúrgico da cidade reflecte-se aqui com a multiplicidade de tratamentos desta obra metálica e versátil.



Baana: Pedestrian | Design pelo Departamento de Planeamento da Cidade de Helsínquia

O Baana é uma intervenção de inteligência e delicadeza na cidade de Helsínquia.
Este concorrente desfez um limite imposto por uma antiga linha de carris da cidade, refazendo-o numa ciclovia e corredor pedonal.

O conceito é simples: a transformação de um percurso de transporte de mercadorias abandonado num percurso de fluxo pedonal urbano para aproximar a cidade sem necessidade de grandes infra-estruturas.
Apesar do percurso existir desde 1894, na sua génese como caminho de ferros que alimentava os portos e indústrias finlandesas da área, só recentemente em 2012 é que se reabriu ao público, reciclando um eixo da cidade para usos comunitários.


Opening of the Rainham Marshes | Design de Peter Beard

A Rainham Marshes, no limite este de Londres, é a maior bacia hidrográfica a norte do estuário do rio Tamisa.
Apesar da sua proximidade a uma das maiores metrópoles da Europa, é interessante notar como a presença natural marca este local.

O objectivo deste projecto foi a abertura desta zona ao público e a sua preservação como um espaço de natureza inalterada.
São as espécies raras de plantas e aves migratórias que criam a vivência deste local, que funciona como uma lufada de ar fresco para os habitantes londrinos.
Com a acrescida acessibilidade, o espaço ganhou nova vida evitando o excesso de construção e destruição da área.

São projectos destes que nos relembram que a cidade não vive só do seu centro, mas de todas as partes, até às suas extremidades e à natureza envolvente.

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