Polémica inauguração da Filarmónica de Paris
Jean Nouvel afirma que a obra ainda “não está terminada”
Sala concertos | © William Beaucardet / via Facebook / Philharmonie de Paris
Após oito anos de polémica, a Filarmónica de Paris foi finalmente inaugurada a 14 de Janeiro de 2015, num evento VIP que contou com uma cerimónia conduzida pelo presidente François Hollande.
Destinada a competir com grandes salas de concerto do mundo, a nova Filarmónica de Paris irá sediar duas orquestras e três formações musicais.
O edifício é revestido com 340.000 pássaros em alumínio, de 7 formas e 4 cores diferentes, ao estilo de Escher. No seu interior inclui uma grande sala de concertos com uma excelente acústica e uma capacidade de 2400 lugares, seis salas de ensaio, dez estúdios, ateliers pedagógicos, uma cafeteria e um restaurante panorâmico.
Algumas críticas têm sido apontadas relativamente à dimensão “faraónica” do edifício, para além da sua localização em La Villette, na zona oriental de Paris, também posta em causa por se tratar de uma região periférica, de cariz popular, muito distante do tradicional público de música clássica.
Para além disso, desde o início do projecto em 2006, o custo do edifício recém-inaugurado já praticamente duplicou. Dos 200 milhões de euros inicialmente estimados, prevê-se que a Filarmónica irá custar aos cofres públicos cerca de 386 milhões de euros.
Contribuindo para aumentar a polémica, o autor do projecto, o prestigiado arquitecto francês Jean Nouvel, vencedor do Prémio Pritzker 2008, emitiu um comunicado onde informava que não iria participar na cerimónia de inauguração da Filarmónica de Paris, alegando que a obra ainda “não está terminada”.

Exterior | © Jacques-Franck Degioanni / via Le Moniteur

Exterior | © Jacques-Franck Degioanni / via Le Moniteur

Detalhe da fachada | © Jacques-Franck Degioanni / via Le Moniteur

Detalhe da fachada | © Jacques-Franck Degioanni / via Le Moniteur

Detalhe do interior | © Jacques-Franck Degioanni / via Le Moniteur
Apesar da inauguração ocorrer três anos após o que tinha sido inicialmente previsto, o arquitecto argumenta que “não foram realizados testes acústicos na sala de concertos [uma vez que] a calendarização de obra não permitiu que fossem respeitadas as exigências arquitectónicas e técnicas, […] apesar de todos os avisos que tenho vindo a fazer desde 2013.”
No seu comunicado, o arquitecto abordava também as crescentes derrapagens no valor da obra, defendendo a sua posição contra as acusações de excesso de custos, afirmando que “em caso algum estive na origem de quaisquer custos extra nesta obra”, citando o relatório público de Cour des Comptes (de Fevereiro de 2012), que concluiu que a culpa se devia à “má condução” e aos “muitos atrasos relacionados com as oscilações das arbitragens públicas” que “obviamente influenciaram o custo da obra”.
A própria ministra da Cultura, Fleur Pellerin, reconheceu estes problemas. “Este projecto foi mal calculado desde o início. O seu custo foi amplamente subestimado”, declarou a ministra ao jornal Aujourd’hui en France.
O arquitecto Jean Nouvel conclui o seu comunicado dizendo que “neste outono, quando a obra for concluída, será o momento de inaugurá-la em paz e com dignidade."
As obras ainda devem continuar por vários meses, mas a programação musical já está definida até Julho e pode ser consultada no site: www.philharmoniedeparis.fr.
