Cidades Vivas: Os arranha-céus do futuro
Nova Iorque em 2040Imagens via Metropolis Magazine

“Como irá a capital do mundo metropolitano albergar um milhão de habitantes no ano 2040?”
Esta foi a pergunta que iniciou o concurso de design e arquitectura proposto pela Metropolis Magazine. Dada a co-apresentação pelo Steel Institute e o Ornamental Metal Institute of New York, todas as propostas necessitaram de usar estruturas metálicas como base para os seus projectos de trinta a quarenta pisos. Juntamente com estas exigências, foi pedido aos concorrentes para criarem vislumbres do futuro da habitação social sustentável em Nova Iorque.
O concurso foi aberto a todos os profissionais e estudantes em arquitectura e engenharia até ao dia três de Janeiro, tendo como prémio dez mil dólares.
Avaliadas as propostas, seleccionaram-se dois vencedores e quatro menções honrosas.
Urban Alloy | Design de AMLGM
Urban Alloy, uma estrutura reminiscente de corais dinâmica que serve como motor para a inovação e coesão social. Gerado a partir das vias de comboio pré-existentes e esticado para os céus para respirar, este colosso propõe estruturas metálicas fortes e leves que permitem a criação das consolas gigantescas que resolvem o problema da habitação sem aumentar a área em uso substancialmente.
A casca exterior desta obra reflecte um desejo de optimizar o sombreamento e iluminação para a superfície deste volume complexo. Em paralelo, a superfície transita de formas cilíndricas e prismáticas para se ajustar aos diferentes pés direitos dos diferentes pisos. Nisto, a estrutura flexível tornou-se necessária para criar os ambientes únicos de exposição solar para cada recanto do edifício.

Vivo on High Line | Design dos NBRS+Partners
Em 2009, os habitantes de Nova Iorque foram introduzidos ao High Line Park, uma linha ferroviária elevada sobre Manhattan reconstituída num parque urbano de flora abundante, usada como um percurso relaxante com a natureza na grande metrópole.
O segundo vencedor do Living Cities “VIVO” pega no conceito do High Line e ergue-o para os céus numa intervenção de verdura vertical que se torna num marco imponente de sustentabilidade. Aglomerando o High Line, dobrando-o como origami, chega-se a uma forma que reúne os diferentes percursos da cidade, criando um nódulo de vida flexível.
A estrutura metálica age como forma de libertar o espaço interior, possibilitando variações de uso ao longo da vida do edifício, dando-o vida e sazonalidade, como o ecossistema cultivado dentro do mesmo.
New York Tomorrow | Design de Airat Khusnutdinov e Zhang Liheng
Como introdução às menções honrosas, surge uma obra esbelta de imaginação inigualável, o New York Tomorrow. Em contraste ao anonimato das habitações do bairro de Midtown Manhattan esta proposta destaca-se pela forma com que se apodera da envolvente. Aproveitando as potencialidades das estruturas metálicas ao máximo, o edifício assenta numa escassa área de 120 metros quadrados para sustentar os seus 130 metros de altura! O projecto divide-se em três partes principais, o suporte no rés-do-chão, um grande átrio a meio e um bloco de habitação e escritórios paralelepipédico.
O suporte é dado por uma série de mega colunas que se dividem e dobram num emaranhado de pilares, vigas e tirantes metálicos que formam o átrio público acima, previsto para pequenas empresas, auditórios e outros usos. Deste emaranhado metálico e o encontro social interior surge um clássico prisma de pisos regulares com o poder de se adaptar a qualquer uso necessário.

The Lawn House Tower | Design de Inki Hong e Solim Choi
Para aqueles que não conseguem decidir entre os benefícios dos subúrbios e a eficácia e proximidade da vida na cidade, a Lawn House Tower tenta criar um intermédio interessante. Este complexo foi desenhado para albergar duzentos fogos familiares com quintais próprios ao longo de diversas camadas em espiral. A série de coberturas ajardinadas em espiral prevê sistemas de controlo térmico, dispersão dos ventos, armazenamento de águas pluviais e isolamento acústico, assegurando um conforto incrível. Dada a sua natureza pré-fabricada, desmantelamento fácil e design inteligente, este candidato ergueu a fasquia no que toca a arquitectura sustentável.
Flux Tower | Design de Juan Jose Garrido, Francisco Sánchez, Cristina Pérez, Verónica Vivó e Myriam Llorente
Ao contrário das outras propostas que ambicionam a vida de Manhattan, a Flux Tower procura reinventar as dinâmicas da vida urbana em Brooklyn. Esta forma cilíndrica de 40 pisos intercala áreas comerciais com habitação social, enclausurada numa pele de vidro que esconde os seus três grandes volumes. Entre estes volumes e a sua camada exterior criam-se espaços intersticiais comunitários para lazer, restauração, ginásios e infantários. 
Bios Tower | Design de Enrico Tognoni e Davide Mariani
Os arranha-céus de Nova Iorque, os ícones de inúmeras histórias fantasiosas, costumam ter um problema bastante real: o aquecimento das fachadas de vidro e ferro. Apesar de definirem a cidade, o futuro chama por designs mais eficazes e confortáveis. Na procura deste futuro encontrou-se a Bios Tower, um arranha-céus com as medidas certas!
A sua fachada usa tecnologia que detecta e filtra a radiação solar, garantindo a exposição solar ideal para qualquer um dos seus recantos. Para alimentar estes sistemas, acrescentaram-se aerogeradores na cobertura e para atender às necessidades sociais desenhou-se a sua forma única. Os terraços horizontais na base fomentam interacção e bem estar, enquanto que o seu eixo vertical assegura uma grelha multifacetada de espaços e funções ao longo dos seus pisos.
Com estas surpreendentes reinvenções da habitação social obtivemos um vislumbre do que 2040 poderá ser: O fim do desconforto, do desperdício e a vitória da elegância do bom design.
Imagens via Metropolis Magazine.
