Arquitectura Low-cost
Exemplos inovadores e económicos
Numa altura em que a crise económica parece estar instalada um pouco por todo o mundo, a arquitectura revela ter, cada vez mais, um papel fundamental na sustentabilidade das nossas cidades, contribuindo significativamente para a melhoria da qualidade dos espaços e do dia-a-dia dos seus habitantes.
Hoje em dia, diversos arquitectos apresentam novas e diferentes abordagens, conceitos, materiais e design, para transformar as restrições económicas em oportunidades de inovação e qualidade, desde soluções pré-fabricadas a projectos em open-source partilhados na internet.
O arquitecto Renzo Piano criou para a Vitra a Diogene House, uma micro-casa com cerca de 7,5m2 que inclui uma kitchenette, casa de banho, uma cama e módulos de arrumação.

Vitra's Diogene House by Renzo Piano
Trata-se de uma unidade de habitação autónoma e sustentável, que consiste numa estrutura de madeira com 2,5m de largura e 3 metros de profundidade, com a zona de estar separada da zona de banho, e inclui um sistema de recolha de água da chuva e aproveitamento de energia através de painéis solares.

Vitra's Diogene House by Renzo Piano
O protótipo pode ser visitado Vitra Campus na Alemanha e prevê-se que em 2014 a unidade habitacional esteja disponível em três versões diferentes, dependendo da finalidade pretendida e das necessidades do cliente, a partir de 20.300 €.
Inspirados na arquitectura tradicional japonesa e no estilo de vida das sociedades modernas, os arquitectos Mário Sousa e Marta Brandão criaram a MIMA House, que recebeu o prémio ArchDaily - Edifício do Ano 2011.

MIMA House - Photo © José Campos
Com unidades a partir de 34 m2 é possível criar uma casa à medida de cada cliente, onde toda a concepção pode ser alterada, porque o interior é composto por painéis e peças modulares personalizadas pelo cliente. Sobre as janelas ou sobre as paredes podem ser colocados (e trocados) painéis coloridos, na mesma lógica de personalização.
O módulo base está disponível a partir de 21.580 € mas o custo final pode variar de acordo com a área e a possibilidade de o cliente personalizar a casa.

MIMA House - Photo © José Campos
O arquitecto Eurico Silva criou a UCHI, que em japonês significa "lar confortável", e consiste num módulo habitacional modular, versátil, económico, ecológico e portátil.
O ponto de partida é um módulo de 21 m2 que pode ser totalmente personalizado pelo cliente, desde o revestimento interior ao exterior, passando pela cor das paredes, o soalho flutuante, até às loiças de cozinha e sanitárias. A UCHI pode assumir diversas funcionalidades, desde habitação, stand de vendas, gabinete, biblioteca ou módulo para residência de estudantes.

UCHI by Eurico Silva
A UCHI disponibiliza três modelos habitacionais: básico, eco e high-tec. O modelo básico apresenta-se como um open space que inclui uma zona de estar e dormir com arrumação, zona de cozinha e casa de banho. O modelo eco inclui painéis solares fotovoltaicos e um depósito de água com sistema de reaproveitamento de água e saneamento portátil. No modelo high-tech o cliente poderá ter um conjunto de soluções automáticas que lhe permita controlar, através de um servidor, a iluminação, o alarme de intrusão, o estore automático e/ou o sistema de rega, entre outros.
O preço base ronda os 10.000 € e pode variar de acordo com a área e a possibilidade de o cliente personalizar a casa.
UCHI by Eurico Silva
O estúdio ÁBATON desenvolveu a Casa Portátil serie ÁPH80, uma unidade de habitação pensada para 2 pessoas, fácil de transportar por estrada e pronta a ser colocada em praticamente qualquer lugar.

ÁPH80 by ÁBATON | Photo © JuanBaraja
A ÁPH80 apresenta-se como um volume compacto de duas águas, feito maioritariamente de materiais recicláveis, e pode incluir até três espaços diferenciados: sala-cozinha, casa de banho e quarto de casal, numa área de 13,5 m2 até 27 m2. O preço base é de 21.900 € e pode ser entregue em cerca de 8 semanas.

ÁPH80 by ÁBATON | Photo © JuanBaraja
Alastair Parvin e Nick Ierodiaconou do estúdio londrino 00:/ desenvolveram a WikiHouse, o primeiro edifício do mundo disponível em open-source. Concebido como uma solução de baixo custo para o dar resposta à necessidade de habitação global, podendo ser construída com materiais simples de acordo com os planos de construção disponíveis gratuitamente na internet.
A construção da casa não requer peças especiais e pode ser feita a partir de pedaços de madeira que se encaixam em conjunto. De acordo com os seus criadores, a estrutura da WikiHouse pode ser montada em menos de um dia, por pessoas sem nenhuma formação em construção.

Wikihouse prototype
Utilizando uma máquina CNC, é possível aceder aos planos de corte a partir do site da empresa e em seguida " imprimir " as partes que compõem a WikiHouse numa placa de madeira prensada.
O objectivo do projecto é permitir que qualquer pessoa no mundo possa aceder, adaptar e “imprimir” uma casa muito barata e que pode ser adaptada às suas próprias necessidades.

Wikihouse structure
O que distingue o projecto WikiHouse é a sua natureza colaborativa, permitindo contributos de qualquer pessoa, de e para qualquer parte do mundo. O projecto base da WikiHouse tem vindo a ser adaptado por arquitectos da Nova Zelândia, Rio de Janeiro, México ou Pequim numa perspectiva de contribuir para resolver a problemática da habitação em todo o mundo.
Recentemente convidado para conduzir uma TED Talks, Alastair Parvin defende a sua ideia de “democratizar radicalmente a produção de arquitectura”, onde “cada vez mais a equipa de projecto pode ser o mundo inteiro”.
